#21 Corrida no triatlo: outras modalidades e como melhorar seu desempenho


O triatlo é uma modalidade composta por três esportes: natação, ciclismo e corrida, respectivamente. Com isso podemos dizer com toda certeza que a corrida tem um papel fundamental na decisão de um tempo final de prova, bem como que é a modalidade onde o corpo já está mais debilitado em sua execução.

Mas o que muda no treinamento? Qual as necessidades específicas da corrida em relação à modalidade?

Primeiramente precisamos dizer que a modalidade em si é completamente diferente em seu andamento em relação a prova de corrida de rua. Os treinos (com exceção ao treino de transição bike > corrida) são muito próximos. A grande diferença é que o triatleta aprende a tirar o melhor de si na corrida já com as pernas cansadas, e tem uma adaptação física/fisiológica sobre isso bem interessante.

No triatlo a intensidade de corrida é inversamente proporcional a distância da prova (quanto maior a distância, menor é a intensidade aplicada na corrida, e vice-versa). Isso não significa que triatletas corram devagar. Atletas de ponta de provas de Ironman chegam a correr maratona para baixo de 2h 40 minutos, o que é um tempo bem considerável em qualquer maratona mundial. Porém esse tempo é feito após quase 4 quilômetros de natação e 180 quilômetros de ciclismo, cada um deles com suas particularidades de dificuldades.

Da mesma forma, podemos dizer que ela é a modalidade mais desgastante para o corpo na questão física, que sofre mais alterações na mecânica de acordo com o cansaço fisiológico prévio, e que demanda um treinamento mental importante para fazer o corpo entender que mesmo cansado ele pode render muito bem.

Outra questão é que o triatleta adquire uma resiliência em relação ao cansaço corporal diferenciado (lida relativamente melhor aos sinais corporais de fadiga) o que faz com que em provas de "apenas corrida de rua" tendem a ter um desempenho interessante pois não teve as etapas prévias de sua modalidade usual.

Outra questão interessante é a melhora que seu corpo adquire em relação à praticar as outras modalidades. O ciclismo tende a fortalecer seus membros inferiores e melhorando as respostas fisiológicas periféricas. A natação por sua vez acaba ajudando na restauração das estruturas físicas (mesmo que em uma sessão de treino considerada forte para a modalidade).

Mas o ponto mais importante a se dizer aqui é: não existe progresso consistente se a periodização do atleta não for enxergada como sendo apenas uma modalidade (o triatlo). Os treinos devem estar distribuídos em uma programação semanal, mensal e visando um objetivo específico de forma a um treino complementar o trabalho do outro e não se torne um treino concorrente em relação às outras modalidades. Essa equalização de volumes, intensidades e distribuição semanal se faz extremamente necessário para que o progresso seja visível e consistente.

Portanto se você é corredor e quer adicionar outras modalidades aeróbias na sua logística de treino, saiba que eles devem seguir esse alinhamento descrito anteriormente, de forma a otimizar tanto os estímulos para a melhora, quanto os descansos de uma modalidade em relação ao corpo de modo geral, em relação a intensidade dos treinos do dia anterior e posterior, e assim por diante. Vale lembrar também que o feedback contínuo ao treinador para equalizar novamente (caso necessário) de acordo com as respostas apresentadas pelo atleta são a parte MAIS IMPORTANTE para que essa sobrecarga se transforme em algo positivo visando performance.

Por isso é sempre importante uma orientação de um profissional que entenda a multidisciplinariedade em questão, ou que se tenha uma relação de troca de informações entre os treinadores de cada modalidade pois seriam trabalhos diferentes onde suas intervenções causam efeito na mesma pessoa.


Fábio Targas Gonçalves 

CREF: 091562-G/SP

TARGAS PERSONAL COACH - ASSESSORIA ESPORTIVA

@targaspersonalcoach

@fabiotargas

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